A contribuição inglesa para a história da arte

Destaque na história pela literatura 

De antemão, esqueça a pintura, a escultura e a música erudita. Os ingleses conquistaram seu espaço na história da arte pelas letras e as artes performáticas populares

Ao menos no formato ensinado nas escolas, a história da arte costuma se pautar por poucas formas de expressão artística, em escopos temporais milenares. Dessa forma, não aborda as demais em profundidade.

Em primeiro lugar, isso não muda a importância destas outras formas de expressão, mesmo que seu histórico documentado seja mais recente. A Inglaterra, por exemplo, é um país de forte influência cultural. E em geral,  costuma ficar de fora dos destaques da maior parte dos livros didáticos por conta desse escopo tradicional.

Mudanças de parâmetros na análise 

Reconhecer sua importância cultural e artística, portanto, exige mudar parte dos parâmetros usualmente adotados para se destacar Egito, Grécia, Itália, França, Espanha e Oriente Médio, para se expandir o escopo artístico e os momentos históricos de seu apogeu.

Isso não significa, entretanto, deixar de reconhecer a forte influência externa na criação artística britânica, como a arquitetura exemplifica. No âmbito arquitetônico, no entanto, os estilos estrangeiros ganharam aspectos locais quando importados para a ilha.

Dessa forma, se você observar atentamente, poderá notar que a arquitetura gótica francesa foi adaptada com uso delicado de pedra em estruturas originalmente de vidro. Como exemplo, temos o King’s College em Cambridge. O Renascimento influenciou muito os edifícios de Christopher Wren, responsável por muitas igrejas em Londres.

As casas de campo do século XVIII exibiam modismos de estilo estrangeiro. Por outro lado, há tempos arquitetos contemporâneos, como James Stirling e Norman Foster, alcançaram renome internacional pela particularidade de suas criações.

Artes visuais

Na verdade, fora raras peças que sobraram da ocupação romana, a escultura na Inglaterra tem forte caráter cristão, como nas cruzes e esculturas em relevo das catedrais góticas. Do mesmo modo, as  influências renascentista e barroca demoraram a chegar e não primaram pela qualidade.

O neoclassicismo traria influências romanas, sucedidas pelas gregas das esculturas do Partenon, os mármores de Elgin, vendidas ao Museu Britânico no início do século XIX. . O movimento romântico do século XIX rompeu com a contenção acadêmica do neoclassicismo e rendeu muitos monumentos públicos.

Do mesmo modo, a pintura inglesa também manteve um propósito religioso dos séculos 8 ao 14, até a perspectiva renascentista italiana ser importada como influência.

Pintores barrocos flamengos serviriam de inspiração no século XVII, ainda com temas provincianos e retratos.  Em 1768, foi fundada a Royal Academy of Arts e correntes do neoclassicismo trouxeram temas históricos e mitológicos. No entanto, os temas bíblicos e medievais voltariam no século XIX entre os chamados pintores pré-rafaelitas, como Edward Burne-Jones e William Morris.

Parte dessa produção você pode conhecer na galeria Tate Britain, que cobre 500 anos de arte britânica:

Tate Britain | Tate

Nessa história figuram também os coloristas, movimento pouco comentado fora do Reino Unido:

Letras

Você lembra de algum escritor inglês que te impressionou?

Realmente, foi na literatura que a Inglaterra encontrou uma expressão cultural de maior relevância e repercussão internacional.  De fato, nos primórdios, hinos, poemas líricos e épicos, enigmas e feitiços, canções já eram produzidos.  Mas só com a era elisabetana, a partir do final do século XVI, a Inglaterra conheceu o melhor da sua literatura.  As peças de William Shakespeare foram reconhecidas pela profundidade e criatividade de caracterização.

Destaques na literatura

Conflitos políticos e religiosos do século seguinte fomentaram a poesia, caso de John Donne e John Milton.  No século XVIII, a sátira e a crítica neoclássica destacaram Alexander Pope, Jonathan Swift e Samuel Johnson.

Por um lado e o romance conheceu a obra de fôlego de Jane Austen. Temas regionais inspiraram autores como as irmãs Brontë, Thomas Hardy, DH Lawrence e Charles Dickens.  Já os assuntos sociais do século XIX legaram os temas utópicos de William Morris e Samuel Butler.

Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll, foi apenas um dos primeiros clássicos infantis ingleses, além de um valioso complemento às aulas de inglês para jovens estudantes. Você chegou a ler esse livro na escola?

Já no século passado, nomes como Virginia Woolf dividiriam espaço com os mistérios investigativos de Agatha Christie, P.D. James, Dick Francis e John Le Carré . Igualmente, a poesia de britânicos das adjacências, como os irlandeses William Butler Yeats e Dylan Thomas, entre outros destaques.

Teatro

Arte performática de maior excelência dos ingleses, a apresentação teatral como a conhecemos tem origem na Idade Média, com elementos que artistas ambulantes já empregavam.

Gradualmente, foram absorvidas pela Igreja em encenações da Paixão de Cristo. Porém, quando o Rei Henrique VIII se desvencilhou de Roma no século XVI e formou uma igreja nacional, definiu-se uma tradição cênica local. Esya fase marcou os períodos elisabetano e jacobiano com dramaturgos de grande influência, caso de Christopher Marlowe e Ben Jonson, além, é claro, de Shakespeare.

Comunidade Britânica - Mundo Educação

 

Grandes instituições teatrais, como a Royal Shakespeare Company (1864) e o Royal National Theatre (1962), ajudam a difundir a dramaturgia local.  No século XX, novos autores se consagraram mundialmente, caso de Noël Coward, John Osborne, Harold Pinter, David Hare, Alan Ayckbourn, Tom Stoppard, como também  o grande nome dos musicais, Andrew Lloyd Webber.

Tradição do Music-hall

Com a tradição do music-hall, a comédia inglesa ganhou o mundo com os trabalhos de Benny Hill, Peter Sellers, o grupo Monty Python e Rowan Atkinson. É bem possível que você já tenha se divertido pelo menos com estes últimos.

Inicialmente folclóricas, as danças inglesas tinham caráter popular até que, do século XIV ao XVII, apresentações na corte as fizeram migrar para os palcos, ganhando um caráter cultural sofisticado.

Dos primeiros mestres da dança e do balé no século XVIII às companhias de balé no século XX, foi questão de progressão.  Pelas mãos das irlandesas Ninette de Valois e Lilian Baylis, surgiu o Vic-Wells Ballet, atualmente Royal Ballet.  Da mesma forma, a vanguarda da dança conferiu renome a artistas como Frederick Ashton, Anton Dolin, Margot Fonteyn, Kenneth MacMillan e Antony Tudor.

Cinema

Se existe uma cinematografia capaz de corroborar e se fortalecer com o poder cultural de Hollywood, essa é a inglesa. Com o idioma inglês facilitando o trâmite tanto de obras quanto de artistas entre Inglaterra e Estados Unidos até hoje, a indústria local demorou para se desenvolver.

Para tanto, foi necessário criar uma reserva de mercado com o Cinematograph Film Act de 1927. Então, na década de 1930, a quantidade de produções britânicas no mercado internacional disparou.

Você pode até prever que Alfred Hitchcock é o grande nome firmado nesse período, com filmes como Os 39 degraus (1935) e Sabotagem (1936).   Após sua partida para  Hollywood  tornou-se um verdadeiro autor de cinema mundial,com vários clássicos admirados até hoje.

Na sequência , despontaram na Inglaterra ao longo das duas décadas seguintes as comédias, gênero muito propício para se sedimentar conteúdos abordados nas aulas de inglês, seja vocabulário, gramática ou jogos de palavras.

O estilo vanguardista de Richard Lester (americano atuando na Inglaterra) e Lindsay Anderson dividia espaço com o cinema grandioso de David Lean e o sucesso de bilheteria da série de filmes do agente secreto 007.

A partir da década de 1980, realizadores como a dupla Ismail Merchant e James Ivory, Peter Greenaway, Kenneth Branagh, Mike Leigh e Ken Loach restabeleceram a credibilidade e o vigor criativo do cinema britânico na crítica cultural mundo afora.

Você já assistiu a algum dos filmes deles?

Música

Foram monges e trovadores que divulgaram estilos musicais de vários cantos da Europa, até que nos séculos XVI e XVII, os primeiros compositores ingleses de renome surgiram, entre eles William Byrd.

Posteriormente, os compositores barrocos Henry Purcell e George Frideric Handel e, no século XIX, a ópera cômica de William Gilbert e Arthur Sullivan mantiveram a qualidade da produção musical local. Eles deixaram um legado de obras de Edward Elgar, Gustav Holst, William Walton e Benjamin Britten.

Além de companhias de ópera como a Royal Opera e a English National Opera, há orquestras, grupos de câmara e corais na agenda de eventos anuais que já compõem o calendário cultural do país há décadas.

Porém, é a música folclórica inglesa que ajudou a tornar as canções a forma musical inglesa mais internacionalmente celebrada, mesmo quando influenciadas pelas ex-colônias, especialmente os Estados Unidos.

Grandes bandas 

É o rock inglês que, a partir dos anos 1960, invadiu ouvidos, corações e mentes mundo afora.  Liderado pelos The Beatles, The Rolling Stones, The Kinks e The Who, o gênero se estabeleceu lá mais por meio de bandas  – não raro lendárias – que por cantores solo.

O que parecia uma onda temporária ganhou recorrência, entre outros, com Led Zeppelin, Queen, Pink Floyd na década seguinte e foi pouco a pouco se diversificando com cantores pop de variadas influências. Além disso, houve destaque posterior também para a música eletrônica.

Repercussão no mundo da moda

Ao mesmo tempo, desde a segunda metade do século passado, a rebeldia do rock tem eco no estilo de vida que os ingleses jovens adotam.

Criou-se  dessa forma uma cultura marcadamente estética e sensorial. É o caso da moda. A mini-saia, por exemplo, foi criada por Mary Quant nos anos 1960. Mini também era o nome do carro contemporâneo projetado por Alec Issigonis para render o máximo de desempenho com o mínimo de dimensões, outro ícone de design até hoje imitado.

Durável também é o apreço pelas sobremesas na gastronomia inglesa, o que não deixa de ser mais uma forma de arte que o país tanto preza.

Enfim, sobram encantos culturais na Inglaterra. De perto ou à distância, sua rica e apreciada produção artística está sempre presente no mundo ocidental e, não raro, no oriental também.

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